Ex-presidente da Petrobras vira réu na Lava Jato
O juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro, aceitou nesta quinta-feira (24) a denúncia do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) contra o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine e outras cinco pessoas, incluindo o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Eles agora se tornaram réus em processo criminal acusados dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução à Justiça.
A denúncia aceita pela Justiça Federal tem como base as investigações referentes à 42ª fase da Operação Lava Jato, denominada Operação Cobra, deflagrada no dia 27 de julho, executada a partir da delação premiada de Marcelo Odebrecht. O ex-presidente da Petrobras foi preso naquela ocasião.
Segundo relato de Odebrecht, Bendine teria pedido à construtora propina de R$ 17 milhões quando ainda era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial. À época, os executivos da empreiteira negaram o pedido por entender que Bendine não teria capacidade de influenciar no contrato.
Em 2015, pouco antes de assumir a presidência da Petrobras, ainda segundo a investigação, Bendine pediu nova propina à Odebrecht para atuar no interesse da empresa junto à petrolífera. Dessa vez, o ex- presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e o executivo Fernando Reis optaram por pagar propina de R$ 3 milhões.
A Força-tarefa afirma que as provas desse acordo foram colhidas em depoimentos de colaboradores e durante as buscas e apreensões feitas na 26ª fase da Lava Jato, denominada Operação Xepa.
O MPF-PR afirma que o pagamento da propina foi realizado a partir da adoção de mecanismos de lavagem de ativos e parcelado em três entregas em espécie, realizados em apartamento na capital paulista alugado a Antônio Carlos Vieira da Silva. O irmão dele, André Gustavo Vieira da Silva, também operou parte dos pagamentos a Bendine.
De acordo com a denúncia aceita pela Justiça Federal, Aldemir Bendine e os operadores financeiros dissimularam os pagamentos de propina ao descobrirem a existência de investigações contra si no âmbito da Lava Jato. Eles declararam que o dinheiro teve origem nas consultorias prestadas à Odebrecht e recolheram impostos relacionados aos serviços. Para a força-tarefa, os acusados tentaram embaraçar as investigações ao cometerem tal ato.
Além de Bendine e Odebrecht, tornaram-se réus o executivo da Odebrecht Fernando Reis, os operadores Antônio Carlos Vieira da Silva Junior e André Gustavo Vieira da Silva e o doleiro Álvaro Novis.
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