Câmara inicia votação para mudar taxa de juros de crédito do BNDES

Deputados discutem aumento dos juros de financiamentos do BNDES Deputados discutem aumento dos juros de financiamentos do BNDES

O plenário da Câmara dos Deputados começou no início da madrugada desta quinta-feira (24) a fase de votação da MP (Medida Provisória) 777/17, que altera os juros de financiamentos liberados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) depois de quase 4 horas de obstrução.

Foram vários requerimentos e sucessivos discursos com o objetivo de tentar adiar a votação da medida, que, na prática, encarece o valor pago pelos juros do crédito concedido pelo banco público. Hoje, os empréstimos são subsidiados.

A MP extingue a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e cria a TLP (Taxa de Longo Prazo) para os financiamentos concedidos. A nova taxa será aplicada nos empréstimos a partir de 1º de janeiro de 2018.

Deputados contrários à mudança dizem que a medida esvazia a importância do banco e vai diminuir o crédito disponível a custo baixo.

Os defensores da medida, por outro lado, dizem que o subsídio custa caro e questionam as políticas de financiamento do BNDES, como a dos “campeões nacionais”, que investiu recursos em grupos econômicos objeto de ações judiciais como a J&F e o grupo do empresário Eike Batista.

Crise econômica

O líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP), ressaltou que vários empreendimentos construídos nos últimos anos, como a expansão hoteleira da Copa do Mundo e das Olimpíadas, foram financiados pela taxa mais barata do BNDES.

— Qual o objetivo desta MP? É suprimir uma fonte de financiamento mais barata do que as taxas de juros privados para financiar a indústria, o comércio e serviços.

O deputado André Figueiredo (PDT-CE) apontou que os juros subsidiados são utilizados desde a década de 90.

— Se a base do governo quer gerar empregos, não vamos fazer esse ataque ao capital produtivo, que desde a época de Itamar Franco se utiliza da TJLP para ter juros abaixo dos praticados pelo mercado.

Líder do PSOL, o deputado Glauber Braga (RJ) disse que a medida é “praticamente o fechamento do BNDES”.

— Empresas nacionais vão ficar completamente dependentes dos bancos privados nacionais e, principalmente, internacionais.

O deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR) lembrou que a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e entidades representativas empresariais são contra a medida e defendeu a queda da taxa de juros básica da economia, a Selic.

— Temos que reduzir os subsídios existentes, mas devemos fazer com que também a taxa de juros continue praticável. A TJLP é a mais baixa e, mesmo assim, os empresários não têm apetite de buscar essa taxa.

O relator da proposta, deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), saiu em defesa da medida. Ele afirmou que a política de crédito do BNDES não foi bem-sucedida e precisa ser alterada.

— Precisamos dizer que subsídio ofertado pelo BNDES a juros baratos não representou mais investimentos, a indústria continuou a perder espaço no PIB mesmo na alta de crédito.

Custos do subsídio

Vice-líder do governo, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) rebateu as críticas, afirmando que os subsídios custam muito caro aos cofres públicos.

— Essa medida é uma das revoluções econômicas que este governo reformista está fazendo. A atual política do BNDES leva a um subsídio que custa ao Tesouro mais de R$ 100 bilhões por ano. Capta por 15% para emprestar por 5%.

O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) apontou que os recursos que subsidiam empréstimos são do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

— Não dá mais para o governo transferir recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do povo brasileiro para o BNDES emprestar a grandes empresários, a grandes empresas.

Líder da Maioria, o deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) destacou que a população não acompanha os empréstimos concedidos e se há, ou não, retorno financeiro.

— Muitos desses empréstimos foram concedidos aos chamados grandes grupos, que investiram fora do País e trouxeram grandes mazelas para o nosso País, evidenciadas agora nas denúncias de corrupção.

O deputado Afonso Florence (PT-BA), no entanto, disse que o aumento de juros não vai resultar em mais dinheiro para o FAT.

— Na prática, ele vai ser esvaziado, não vai haver investimento de longo prazo, não vai haver empregos, não vai haver mais tributos. Essa é a medida da recessão, da desindustrialização, do sucateamento da empresa brasileira.

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Câmara inicia votação para mudar taxa de juros de crédito do BNDES Câmara inicia votação para mudar taxa de juros de crédito do BNDES Reviewed by ARV on agosto 24, 2017 Rating: 5
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